Bebidas Alcoólicas e Espiritismo - Perguntas dos amigos...


Queridos amigos, bom dia.

Recebí através do nosso formulário "Entre em contato" as seguintes perguntas de um amigo católico, às quais enviei a resposta que segue abaixo:



"...Carissimo Joao Batista...
Estive procurando sobre o tema alcool e espiritismo na internet quando cheguei ao seu blog e ao seu email.
Ja lhe digo o por que de meu atrevimento em tomar-lhe o seu tempo. :-)
Sou catolico praticante desde que nasci. Pela minha doutrina religiosa, pela minha educacao familiar e pelo convivio social que souberam mto bem me disciplinar e me proporcionar otimos ensinamentos e gracas ao livre arbitrio, tenho uma consciencia moral mto grande.
Hoje em dia, namoro uma mulher que segue a doutrina espirita. Ja sao ___anos e ___ meses de namoro. Infelizmente, a questao religiosa comecou a interferir no nosso relacionamento.
Falo sobre o tema alcoolismo, pq, mesmo nao sendo adepto da bebida alcoolica (ja usei mto quando adolescente, algumas vezes de modo ate irresponsavel), foi um assunto que surgiu em nossas discussoes.
Para ela, ninguem deve beber, pq o alcool faz mal para o corpo e para o espirito. Como voce deve bem saber, minha doutrina nao admite o uso do alcool excessivo, obviamente, nem que deturpe o senso moral de seu consumidor, ate porque o Padre, nas missas, bebe alcool, num simbolismo em relacao ao sangue de Cristo.
Falando sobre futuro e casamento, ela questionou que no nosso casamento (caso isso o futuro nos reserve), que nao haveria bebidas alcoolicas.
Questionei este fato, porque, alem dos convidados dela, adeptos da mesma religiao, teriam tambem outros convidados, nem todos adeptos da religiao dela, nem da minha. Insisti que esse fato era de certa forma muito radical da parte dela, visto que nem todos sao obrigados a seguir o que ela pensa. Se o centro espirita dela prega que nao se deve beber alcool, eu tenho certeza absoluta que, caso o garçon ofereca uma bebida, este seguidor ira recusar.
Enquanto isso, ela tentava me explicar a questao do alcool na vida espirita, sobre como faz mal para a alma, como a pessoa pode padecer no umbral (desculpe se nao esta correta a grafia, mas nao estou familiarizado com esses termos), como no filme NOSSO LAR, etc. Falei com ela que entendia o posicionamento dela, mas que nos nao tinhamos controle sobre as outras pessoas e nem poderiamos enfiar goela abaixo dos outros a doutrina dela. Que isso deveria ser uma livre escolha, assim como tb a escolha de beber ou nao, ja que todos temos o livre arbitrio. Ela se mostrou irredutivel.
Isso me preocupa em mtos pontos. Tanto na questao pessoal, como na questao espiritual.
Eu acho que o alcool, moderamente consumido(aquele que bebe uma, duas cervejas todo final de semana, nao fica bebado, nao perde a nocao das coisas e mto menos da moral), nao pode sobrepor as coisas boas que uma pessoa faz. As vezes uma pessoa eh bonissima, de uma benevolencia e caridade supreendentes, ajuda pessoas constantemente e, por beber duas cervejas por final de semana estaria condenado a algo parecido com o que aconteceu no filme NOSSO LAR?
Outra questao tem a ver com uma certa intolerancia religiosa. Acredito que eu sendo catolico, vc espirita, mas o Deus que estamos querendo alcancar eh o MESMO. Apenas o fazemos por caminhos diferentes. Nossas religioes pregam a evolucao do ser, fazendo o bem, tendo moral, procurando sempre, sempre ser cada vez melhor. Pra mim, eh o ponto principal de nossas religioes, independente de como faze-lo e os caminhos a percorrer.
Quando estou com ela, vou tb aos centros espiritas, assisto as palestras, tomo passe... nada disso me faz ser menos catolico e mto menos perder a conviccao na minha doutrina. Faco em respeito a ela, faco porque sei que a faz feliz, e faco pq sei que as preces, independente da religiao, sendo para o bem, fazem o bem.
Se na celebracao do matrimonio, houvesse uma cerimonia espirita, participaria com prazer. Poderia ela participar de um casamento na igreja? Ela diz q nao. Poderia ela batizar um filho? Ela diz que nao. Parece inclusive, que faco algo que vai CONTRA a doutrina espirita, como se estivesse escrito no evangelho espirita que NAO PODE CASAR NA IGREJA, NAO PODE BATIZAR UM FILHO.
Pra mim, Deus acima de tudo. E nao acredito que Deus tenha criado o homem para se diferencar por religiao. Pra mim, somos todos iguais, independente de raca, credo, cor, e de qualquer outra coisa. Vc, espirita, eh o mesmo tipo de homem que eu, sem diferenciacoes.
E mto me assustou essa atitude, porque dessa forma, ela so podera encontrar e ficar com alguem com as mesmas ideias, com a mesma religiao, que siga exatamente as mesmas doutrinas que ela.
Acredito na moral que tenho, no homem bom que sou e no homem melhor que eu possa me tornar, e nao acho que se, eventualmente eu venha a beber uma ou duas tacas de vinho num jantar, aproveitando o clima frio da cidade, ou algo do tipo, me fara ser uma pessoa pior.

O que vc poderia falar a respeito para me elucidar um pouco mais?
Desculpe sinceramente a longa mensagem, mas essa eh uma questao que tem me perturbado mto. Eu tento sempre agir com a razao e nao deixar a emocao tomar conta. Por isso tenho pensado mto nesse ponto. Eu acho o fim da picada ter que terminar um namoro, com uma pessoa que amo, por nao ter essa tolerancia da parte dela. Ate pq eu sou totalmente contra qualquer tipo de intolerancia, radicalismo e discriminacao.

Obrigado!...."


"Prezado ___________, bom dia.

Obrigado pela confiança em comentar detalhes tão significativos de sua vida; espero sinceramente poder auxiliar, dentro de minhas limitações, nas elucidações que solicita.

Percebo uma grande dose de lógica e coerência em suas palavras e, do meu ponto de vista particular, suas colocações quanto ao quesito religião/religiosidade estão corretas.

Sempre entendí a escolha religiosa como um caminho de libertação moral/consciencial do indivíduo e não como uma tabela rígida de leis e dogmas que não podem ser adaptados ou esquecidos.

Escolhi o espiritismo - após uma longa busca em minha adolescência - pois me possibilita uma série de esclarecimentos e orientações, sem me cobrar nada em troca e sem que exista um "livro de regras" dogmáticas, com excessão das que a nossa consciencia mesmo nos impõe.

Entretanto, devo dizer, que algumas casas e algumas pessoas - por certo subconscientemente acostumadas com o antropomorfismo de outras religiões - agem dentro do espiritismo como se estivessem nas fileiras de outras religiões - criando regras e determinações que tolhem o livre-arbítrio de cada um.

O espiritismo - em sua essência - não nos proíbe NADA; apenas nos orienta nas escolhas mais acertadas, as quais seguimos ou aceitamos de acordo com as nossas tendencias e escolhas pessoais.

Para ficar mais claro vou dar alguns exemplos em relação à minha vida:

- Não tomo bebidas alcoólicas. mas não porque o espiritismo proíbe e sim porque tenho a consciencia que, manipulando energias fluidicas com frequência como faço, os efeitos do álcool em meu organismo serão nocivos as entidades e aos trabalhos que efetuo; por isso ESCOLHO não ingerir álcool; embora respeite quem ingira álcool e compreenda que a escolha é que cada um.
- Meu filho é batizado. mas não porque eu ou minha esposa quisemos - o espiritismo não tem sacramentos (batismo, crisma, casamento, etc) - e sim porque ele (aos sete anos de idade) assim o quis; certamente por influencias entre os amigos da escola. e, respeitando seu livre-arbítrio, fizemos o batizado dele - embora que hoje ele nem se lembre mais disso.
- Em minha casa não tenho bebidas alcoólicas. Porque aquilo que eu não desejo para mim, não ofereço para os outros. Meus visitantes, caso desejem, podem beber a vontade em outro local.
- Quando convidado, ou por alguma conveniencia social, compareço a casamentos, missas e cultos. Não vou em busca de um direcionamento religioso, mas sim atendendo a convites de amigos e instituições que nos solicitam a presença. Nestas ocasiões, embora não comungue das ideologias apresentadas, ajo com todo o respeito e harmonia que posso, inclusive participando de momentos de oração, porque, como você mesmo disse: o nosso Deus é o mesmo, apenas os caminhos de chegar a ele é que são diferenciados.

Acho importante salientar que, em meu ponto de vista particular, qualquer intolerância - ou sinônimo adequado - é também falta de caridade para com o nosso próximo. Hoje está muito em moda uma palavra - ALTERIDADE - que está muito presente em nossas falações e estudos e pouco presente em nossos atos.

Espero que sua Namorada não fique aborrecida comigo, pois respeito totalmente o direito que ela tem de fazer as escolhas que faz, apenas espero que ela respeite o meu de discordar dela.

Dentro de minha esperiência e de meu entendimento Espiritismo não é doutrina de dogmas e leis duras e insensíveis. Para mim Espiritismo é aprendizado contínuo de como harmonizar meu interior com o exterior e com o próximo. Atender aos que necessitam de auxílio e orientação sem julgar ou cobrar nada de ninguém, comparecer nos locais onde estão os "doentes" porque o médico é para eles, estar sempre disponível para entendimentos e esclarecimentos quando se fizer necessário - sem esperar que todos tenham o mesmo nível de compreensão que eu tenho - e que sei que muitos tem ainda maior.

Peço desculpas a sua namorada por colocar minhas opiniões pessoais - não tenho pretensão de representar o espiritismo nem de ofender a ela ou aos que pensam assim.

Acredito que o nosso comportamento deva ser orientado pela máxima do Cristo "a cada um de acordo com suas obras" e pela orientação de Kardec "fora da caridade não há salvação", independente de religião ou de religiosidade. Devemos sempre buscar doar aos outros o melhor que pudermos - físico, espiritual ou comportamental - e tratá-los com respeito e carinho - inclusive respeitando as suas limitações e escolhas menos felizes.

Quanto aos procedimentos pessoais que você informa em seu email - escolhas e discussões sobre eventos - não tenho o direito de interferir ou de emitir julgamento nenhum.

Acho, entretanto, que em nome do amor e do relacionamento de vocês alguém terá que ceder em alguns aspectos e outro em outros aspectos - porque assim é o relacionamento a dois. Sempre haverão motivos de dissidência e discussão durante toda a vida de vocês e estes objetos de divergência deverão ser tratados de forma a que vença o amor de vocês e não o orgulho, egoismo ou vaidade de um dos dois.

Ceder também é caridade, principalmente em nome de algo maior. Buscar a harmonia do lar é o dever do casal e ambos devem participar deste processo, pois senão ficará um fardo "pesado" demais para um só.

Conversem entre sí, sem sectarismo ou partidarismo, e sim com vistas ao objetivo maior de vida que vocês tenham; desarmem-se de seus pre-conceitos e criem conceitos novos que atendam a ambos; aprendam a conviver harmoniosamente um dia de cada vez, vencendo os obstáculos que se apresentarem em conjunto - "pois a cada dia bastam as suas preocupações".

Desculpe se não esclareci o que você desejava, e espero ter sido de alguma valia. Caso deseje entre em contato novamente.

Paz com vocês."


"...Caro Joao Batista.... deixe-me apenas perguntar uma coisa, que aconteceu com meu pai e gostaria de saber como fica essa questao com a doutrina espirita.
Conhecida e cientificamente comprovado, um copo de vinho por dia, diminui as incidencias de ataque cardiaco e infartos do miocardio. Nao que eu seja adepto do uso de vinho nesse sentido, mas certa vez, meu pai teve a recomendacao de um medico de tomar uma taca de vinho por dia.
Como ficaria, no caso, para quem segue a doutrina espirita de que o alcool nao faz bem.
Pergunto isso, porque fico imaginando caso eu case com minha namorada (agora eh ex, mas a Deus tudo pertence, inclusive o futuro) e algum medico faca essa recomendacao para mim.

Obrigado mais uma vez!...."



"Prezado ________________, bom dia.

Quando comentei a respeito do álcool foi com um exemplo em minha vida particular. pois conheço inclusive pessoas que se afirmam trabalhadores "mediúnicos"(entenda que não necessariamente espíritas) e que ingerem álcool sem se preocupar com os efeitos, outros utilizam o álcool em seus rituais e cerimônias, etc.

O uso do álcool não é proibido - até porque acredito sinceramente que se fosse proibido Deus não permitiria que nós o utilizássemos. O que é desaconselhável é o seu usso axcessivo, o abuso pode trazer incovenientes a quem ingere e a quem convive com o ingestor.

Lembro ainda as palavras de Paulo, o apóstolo, quando afirma "tudo me é lícito, porém nem tudo me convém" - o álcool, na minha visão, é uma destas coisas que é lícita porém não convém - no meu caso.

O fato clínico apontado por você é um ótimo exemplo de como a sociedade trata determinados "vícios sociais" - quero deixar novamente claro que não tenho nada contra quem bebe vinho, por exemplo - mas a recomendação médica de ingestão de vinho para auxiliar o funcionamento do coração é real e válida clinicamente.

Porém, perceba o fato, o que o médico deixa de avisar é que não é o vinho propriamente dito que é bom para o coração - é um concentrado que existe na UVA - e desta forma um suco natural de uva tem o mesmo ou mais efeitos do que o vinho (inclusive tenho um amigo na mesma situação que ingere um suco chamado "precioso"), sua indicação, inclusive, não é apenas para o coração. leia os links abaixo e perceba o que afirmo.
http://www.essenciavital.org.br/vibracaopositiva/SucodeUva.htm
http://www.melina.com.br/br/dicas/dica.asp?cod=7
http://www.vinicolagaribaldi.com.br/pt/produtos/suco-de-uva-natural/suco-de-uva-precioso-adocado/

Então, perceba que não é o alcool que faz bem; são as proteínas da uva - se quiser pode comer 1 quilo por dia que dá no mesmo - e perceba ainda que o médico conhece este fato, mas é "socialmente inadequado" indicar a um "homem" que tome suco... Compreende o meu ponto de vista?

A Doutrina não nos proíbe de nada, embora existam espíritas que gostem de pensar assim; apenas a nossa consciencia quando a nós e ao próximo vai crescendo e não desejamos (eu pelo menos) me prejudicar mais. Na vida temos escolhas e caminhos que devem ser tomadas com base a nossa crença e aos nossos objetivos futuros. Toda escolha tem em sí a sua cota de abdicações e sacrifícios, e de recompensas e alegrias. Eu, nesta encarnação, escolho tentar resistir aos "chamados" que sei que me prejudicarão de alguma forma, mas esta é uma escolha minha, cada um tem a sua.

No mais, acho eu, que não deve se preocupar com fatos como este... viva a sua vida e, caso retorne ao convívio com sua ex-namorada, converse longamente com ela e encontre o "caminho do meio" como disse o Buda.

Perdoe qualquer coisa, e sempre que necessitar estamos por aqui.

Paz contigo."

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